O Mundo das Ideias Corporativas

Gestao, Marketing, Tecnologia, Web 2.0 e Redes Sociais

INICIATIVA 2.0: PARA FACILITAR E INOVAR

Andrew McAfee

Andrew McAfee aposta que a colaboração coletiva é capaz de criar soluções para que se extraia o melhor do trabalho do conhecimento. Leia mais!

Em 2006, a revista MIT Sloan Management Review publicou uma série de artigos a respeito de como a tecnologia estava revolucionando a maneira de inovar. Um desses artigos foi assinado por Andrew McAfee, que cunhou, então, a expressão “Enterprise 2.0”. Pegou. Hoje, as pessoas costumam perguntar a McAfee: “Meu produto é 2.0?”. O conceito surgiu quando, finalmente, as tecnologias que eram consideradas novas – wikis e blogs, por exemplo– poderiam amarrar toda a empresa e facilitar o trabalho do conhecimento de maneira inédita.

À época, o pesquisador Thomas Davenport havia realizado estudos que indicavam alta insatisfação dos trabalhadores do conhecimento com os e-mails e as intranets. Esses meios não estavam captando o conhecimento adequadamente. Não se podia saber quem estava tentando solucionar um problema similar na empresa em nível mundial, para ajudar você a resolver o seu, ou quais eram as pessoas à frente de um determinado projeto do passado. Também seu trabalho não era amplamente divulgado, nem suas opiniões e capacidades. Faltava colaboração.

Restrito ao e-mail e à intranet, o trabalho do conhecimento ficava invisível. Mas as plataformas de geração, compartilhamento e aperfeiçoamento da informação, que já eram conhecidas dos usuários da web 2.0, felizmente passaram a ser aplicadas no mundo das empresas. Daí veio a inspiração para o livro Enterprise 2.0 – new collaborative tools for your organization’s toughest challenges, escrito por McAfee, que é diretor científico de pesquisa do núcleo de negócios digitais da Sloan School of Management do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

 

Características da Empresa 2.0

Se você deseja saber se seu produto merece ser chamado de 2.0, pergunte-se se ele teve origem em um ambiente que possua os seguintes atributos:

  1. Formato livre, no qual as pessoas se reúnam como iguais e fazem o que quiserem na plataforma;
  2. Ausência de fricção, ou de dificuldades para participar e contribuir;
  3. Possibilidade de “surgimento, ao longo do tempo, de padrões e estruturas de alto nível que emerjam de um grande número de interações não planejadas e não direcionadas de baixo nível”, isto é, recursos como tagging e linking, que permitem que conteúdos alcancem o topo da lista.

McAffe usa o acrônimo SLATES para identificar os seis elementos das tecnologias da Empresa 2.0 que caracterizam um avanço em relação à intranet tradicional:

  • Search (“busca”) – é preciso encontrar o que se procura, o que nem sempre é fácil na intranet.
  • Links – nas empresas, as pessoas devem ter poder para criar links.
  • Authoring (“autoria”) – por meio de blogs e wikis, as pessoas satisfazem seu desejo de criar conteúdo; a intranet passa a ser constantemente atualizada pelo trabalho de muitos.
  • Tags (“rótulos”) – a classificação do conteúdo facilita o uso da intranet. As tags expressam as relações e estruturas de conteúdos que as pessoas usam;
  • Extensions (“extensões”) – são as relações do tipo “se você gosta disso, então gostará daquilo”, como faz a Amazon.com;
  • Signals (“avisos”) – alertas sobre a adição de novo conteúdo de interesse, como as mensagens tipo RSS.

O tempo passou e essas ferramentas foram difundidas em muitas empresas, principalmente porque não exigem habilidades especiais por parte dos usuários. No entanto, o principal é que a tecnologia 2.0 não impõe aos usuários quaisquer noções preconcebidas sobre como o trabalho deve se desenvolver ou como o resultado deve ser estruturado ou categorizado. Isso significa uma ruptura drástica.

Como começar

Não basta, porém, deixar que o ambiente se desenvolva automaticamente, mediante adesão massiva, como ocorre no mundo web externo à empresa. Os gestores têm de se certificar que a nova plataforma seja, de fato, utilizada. Darren Lennard, diretor-executivo do banco de investimento europeu Dresdner Kleinwort Wasserstein, por exemplo, cansado de receber centenas de e-mails por dia, sugeriu que sua equipe utilizasse os recursos wiki para trabalhar no texto da missão da empresa. Não funcionou. Era sua primeira tentativa de angariar adesões à nova tecnologia.

Em seguida, percebeu que tinha de ser mais direcionador. Comunicou que não mais leria e-mails relacionados a certos assuntos e ele próprio publicou conteúdo wiki sobre a pauta e as ações relacionadas a uma reunião, pedindo que as pessoas respondessem pelo wiki. “Você tem de dar às pessoas um início que elas possam modificar. Você não pode apenas dar a elas uma área de trabalho em branco e dizer ‘usem isso agora’”, diz ele.

Em seu livro, McAfee dá o exemplo de uma empresa de porte médio do setor gráfico. Frustrado com o problema de captação e compartilhamento de conhecimento na empresa, um dos seus diretores decidiu usar o wiki. Antes, porém, saiu para perguntar aos seus colegas: o que alguém deve saber no seu primeiro dia de trabalho aqui? E na primeira semana? E no primeiro mês? E assim por diante. Ele só estava interessado nos tópicos e não nas respostas.

Chegou a uma lista de cerca de mil tópicos e criou páginas no wiki, interligadas, de modo que as pessoas pudessem navegar, e não adicionou conteúdo. Deixou que os usuários o fizessem. A cada vez que recebia um e-mail relacionado, pedia que a pessoa o publicasse no wiki, sem se preocupar com o visual ou com links. Ele próprio, depois, cuidaria disso. Ao longo do tempo, o wiki passou a ser a primeira fonte de consulta para respostas a qualquer questão na empresa. Tornou-se um depósito de conhecimento dinâmico para toda a organização. 

Alexandra Delfino de Sousa, administradora de empresas e diretora da Palavra-Mestra.

HSM Online

Disponível em: http://bit.ly/8X8yVe

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Referências Bibliográficas

MCAFEE, A. P. Enterprise 2.0 – new collaborative tools for your organization’s toughest challenges. Boston: Harvard Business Press, 2009.

MCAFEE, A. P. “Enterprise 2.0: the dawn of emergent collaboration”. MIT Sloan Management Review. 1º abr. 2006. Disponível online. Acesso em 15 mar. 2010.

YOUNG, N. “Full Interview: Andrew McAfee on Enterprise 2.0”. Spark, 28 jan. 2010, podcast. Disponível online. Acesso em 15 mar. 2010.

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27/09/2011 Posted by | Ideias Corporativas | , , , , , | Deixe um comentário

EMPRESAS 2.0

Em todas as direções do mundo virtual para onde olhemos, ultimamente, enxergamos os números 2.0. Outrora designados para determinar o volume dos cilindros e conseqüente potencia dos automóveis, esse número (ou versão) chegou ao mundo virtual. Falam em Marketing 2.0, em alguns blogs já aparecem pastas com conteúdos exclusivos sobre Gestão 2.0, o pessoal entendido discute a tecnologia da internet 2.0. Esmiuçando um pouco mais, acreditem, já vi em uma livraria famosa um livro falando sobre o “vendedor 3.0”. Pois é, tudo leva a crer que quem é 1.0 está atrasado, ficou para trás.

Mas afinal o que vem a ser o conceito de 2.0?

Depende de por qual caminho você queira tratá-lo. Podemos tratar o conceito pelo lado da tecnologia, do hardware. Podemos também abordá-lo como um conceito de idéias. Uma terceira possibilidade de explorarmos o tema é a aplicação dessas idéias na gestão das empresas.

Sei que vai parecer que estou parafraseando certo presidente, mas qualquer semelhança é mera coincidência. Nunca antes na história da humanidade o homem teve também poder para propagar suas idéias e ser ouvido, quanto agora. Basta um computador, acesso a internet, um site ou blog para se expor grandes idéias. Sabemos que é da natureza dos homens aproximarem-se daqueles que lhe sejam mais atrativos em idéias, objetivos, opiniões e demais afinidades.

A internet computa hoje um número absurdo e crescente de websites e blogs. Já ultrapassou a casa do bilhão tem tempo. Em breve a internet chegará até os lares brasileiros pela energia elétrica. Nem é preciso dizer que em outros países isso já acontece faz tempo. Não daqui a muito tempo, quando a possibilidade de acesso atingir maiores percentuais da população mundial, a quantidade desses objetos de internet atingirá o gógol*, a quantidade numérica que nomeia o site mais acessado em toda internet. Ora, e quando essas minhas palavras se concretizarem, como a tecnologia suportará o colossal volume de informações que trafegará na internet?

A INTERNET 2.0

É aí que entra a internet 2.0. Uma nova tecnologia será necessária. Servidores de website, emails e blogs terão de trabalhar com capacidades de armazenamento ainda maiores. Os meios físicos de conexão entre backbones terão de ser mais velozes e capazes de transportar maiores volumes de informação. Supercomputadores terão de ajudar no processamento desse tráfego todo. Computadores quânticos, fibra ótica, novas engenharias, novos algoritmos, novas siglas; tudo isso será comum e necessário para fazer essa nova internet funcionar.

Toda essa nova tecnologia em hardware demandará novos profissionais: novos analistas, novos engenheiros, novos técnicos, Quando digo “novo” entenda-me “atualizado com as novas tecnologias”. Mais do que isso, demandará um novo pensamento para ordenar esse caótico tráfego.

Grandes universidades sempre estão um passo a frente na troca de informações e tecnologias do que a internet comercial que usamos. Nelas estão os berçários de novas tecnologias. Quando dão o passo seguinte numa nova empreitada tecnológica, eis que a internet comercial passa a se adaptar ao rastro tecnológico deixado pelos grandes centros de estudos. Universidades brasileiras também participam disso.

IDEIAS 2.0

As idéias ditas 2.0 são as idéias que conseguem sobreviver num ambiente deveras dinâmico desse caótico tráfego de informações. Imagine-se no centro de um tráfego intenso e caótico de idéias, propagando as suas e buscando atenção. Crês que conseguirá? Também acredito que não. Infelizmente você será somente mais uma voz no meio de tantas outras buscando pela atenção. Consegue se recordar dos antigos pregões de bolsa de valores, com aqueles corretores gritando loucamente para todos os demais tentando vender e comprar papéis? Pois é, naquele caos eles conseguiam se entender entre si, pois desenvolveram uma linguagem própria através de sinais.

E quais sinais devem ter minhas idéias 2.0?

Eis a beleza do mundo 2.0: as idéias que fazem com que um maior número de pessoas no meio do tráfego caótico pare para escutar são aquelas que trazem INOVAÇÃO. Este é o conceito-chave do mundo 2.0! Rompe-se aqui com o passado, quebra-se o paradigma do conservador. O mundo diz: queremos o novo. E como nunca antes, a tecnologia proporciona o ambiente ideal para idéias inovadoras e criativas.

web20

Sites de relacionamento, Twitter, Blogs, Microblogs, Youtube, Fóruns de discussão. Comunidades, pessoas cada vez mais unidas por idéias, ideais, objetivos e opiniões em comum postando e lendo mensagens concordantes e discordantes. Blogs, microblogs, Fóruns e Twitter, espaços para idéias serem trocadas, comentadas e seguidas. Youtube, imagens suas e de suas idéias em movimento e com áudio disponível para toda internet conhecer.

Quem sai na frente com todas essas possibilidades de comunicação? Os inovadores.

GESTAO 2.0

Numa de minhas aulas de MBA um professor, certa vez, quando perguntado por um aluno sobre quem seriam os melhores stakeholders para um projeto, não titubeou e respondeu: os clientes! Aquilo chamou-me a atenção para este tema. Obviamente que concordo com meu professor, porém fico imaginando as empresas dentro de seu conservadorismo tendo de se adaptar ao ser humano dos dias atuais: o cliente 2.0.

Empresas que hoje se aventuram a vender seus produtos na internet já entendem melhor o cliente “virtual” do que o cliente de mundo real. Em nada, empresa e clientes, se assemelham à vida real. Não há o papel do vendedor para literalmente pegar o cliente pelo braço e tentar empurrar-lhe as melhores ofertas da loja. Caso o cliente 2.0 não se interesse pelo produto de uma determinada loja, ele está a um simples clique de gastar seu dinheiro com o concorrente. Novas idéias para atrair clientes fazem-se necessárias. Um novo tipo de marketing faz-se necessário.

Não só nas relações de compra e venda uma empresa se relaciona com pessoas no mundo virtual. Há também a possibilidade de ouvir seus funcionários e clientes, através de idéias e sugestões para aprimoramento contínuo de seus produtos e serviços. Basta que a empresa crie e aceite as possibilidades para essa nova forma de relacionamento. Este é o primeiro passo. Isto é inovação em gestão. Mais importante do que inovar é criar uma cultura de inovação. E para que essa cultura de inovação apareça dentro das empresas é preciso criar as condições propícias.

É preciso liberar o fluxo contínuo de troca de idéias dentro das empresas fazendo com que as pessoas sintam-se à vontade para expor suas idéias e opiniões sem restrições e preconceitos. As empresas terão de reconhecer as sociedades virtuais como fontes de aprendizado e potencial solução de problemas;

Há empresas que caminham com passos ainda mais ousados e já permitem a co-criação e desenvolvimento de novos produtos com seus clientes. Através da customização de produtos para clientes, a empresa 2.0 consegue entender melhor sua clientela. Quem sabe com uma maior interação cliente-empresa esta não descubra novas possibilidades, novos nichos outrora não enxergados pela empresa.

Este é o mundo 2.0, o mundo das idéias inovadoras. Estaria sua empresa pronta para entrar nele?

*Gógol é o número 1 seguido de 100 zeros.

14/10/2009 Posted by | Web 2.0 | , , , | Deixe um comentário