O Mundo das Ideias Corporativas

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EVITANDO CRISES – O TESTE DE STRESS (Parte 2)

A quarta pergunta questiona os limites estratégicos:

4) Que limites estratégicos foram adotados?

Sempre que uma estratégia é executada traz consigo o risco de que atos de indivíduos, até mesmo um único indivíduo, possam tirar os planos traçados da rota certa. A pressão por resultados em metas e lucros podem ser catalisadores desse processo.

Há duas maneiras de controlar esse risco: dizer às pessoas o que fazer ou dizer o que não devem fazer.

Steve Jobs disse NÃO para a criação de um PDA pela Apple. Nasceu o Ipod.

A primeira abordagem ajuda a garantir que não se cometam erros ao se envolver em atividades não autorizadas. É uma abordagem prudente se segurança e qualidade forem de suprema importância. Por exemplo, na operação de uma usina nuclear ou a supervisão de um lançamento de um ônibus espacial. Nesses casos, a ideia é que o trabalhador siga à risca os procedimentos operacionais estabelecidos.

Já se os objetivos estratégicos envolverem criatividade e inovação, deve-se adotar a segunda abordagem: contratar gente criativa e dizer o que não se deve fazer. Em outras palavras, dar liberdade para que seja exercida a criatividade dos colaboradores – dentro de limites definidos.

Steve Jobs seguiu esse princípio quando declarou que a Apple não iria criar um PDA. Mais tarde, sustentou que, sem tal disciplina a empresa não teria tido recursos para conceber o Ipod.

A quinta pergunta busca estimular a criatividade e inovação na empresa:

5) O que está fazendo para gerar tensão criativa?

É papel dos gestores garantir a motivação dos colaboradores da empresa. Uma forma disso acontecer, é além de garantir um ambiente favorável de convivência entre os trabalhadores, trazer para dentro das paredes da empresa a pressão dos mercados que estão do lado de fora. É preciso deixar o funcionário imerso na competitividade do mercado para fazê-lo sentir-se parte do todo e estimulado a trazer resultados.

Eis algumas técnicas para constar no seu rol de possibilidades:

  • Estipular metas ousadas
  • Classificar pessoal segundo desempenho
  • Definir esferas de responsabilidade maiores do que esferas de controle
  • Alocar custos
  • Criar equipes multidisciplinares com pessoal de unidades distintas

Não permita que o excesso de burocracia atrapalhe boas ideias que possam surgir dos (novos) grupos de trabalho. A tensão criativa surgirá conforme os grupos troquem experiências e expressem-se a partir de pontos-de-vista distintos.

A sexta pergunta lança vista ao relacionamento dos colaboradores entre si:

6) Seus funcionários estão comprometidos em ajudar uns aos outros?

Ainda que trabalhando por promoções e reconhecimentos pessoais, os funcionários precisam estar antenados quanto ao cumprimento de metas e resultados comuns a todos. Para estimular o comprometimento entre os colaboradores, siga os quatro atributos a seguir:

  • Faça com que tenham orgulho da meta a ser alcançada
  • Permita que se identifiquem com seus companheiros de trabalho
  • Faça com que confiem na empresa
  • Seja justo com as remunerações, premiações e bonificações

A sétima pergunta testa a capacidade de adaptação da estratégia ao longo do tempo:

7) Que incertezas estratégicas tiram seu sono?

Na vida, só três coisas são garantidas: a morte, os impostos e o fato de que a estratégia de hoje não surtirá efeito amanhã. A certa altura seu produto ficará obsoleto, o gosto do seu cliente vai mudar e a tecnologia destruirá a competitividade de seu modelo de negócios. A dúvida não é se, mas o quando.

Para poder se adaptar é preciso monitorar constantemente as incertezas passíveis de trazer insucessos à sua estratégia atual. O melhor jeito de sinalizar o que é importante para você é usar sistemas de controle administrativos como ferramentas interativas. De atenção aos dados que produzem e use-os para gerar perguntas que desencadeiem a busca de informações em toda a empresa.

O sistema interativo pode ser à sua escolha. Dependendo do segmento pode ser um plano de lucro, um sistema de registro de novos negócios ou um sistema de gestão de projetos. Depois de decidir pelo melhor sistema, é preciso envolver seus colaboradores para questionarem todas as premissas estabelecidas e, principalmente, recompensar aqueles que tiverem coragem de dar as más notícias.

Monitorando

Não há fórmula mágica para erradicar falhas da estratégia da empresa. Há apenas um caminho para o sucesso: travar um debate contínuo, cara a cara, com aqueles a seu redor sobre dados que forem surgindo, premissas implícitas, escolhas difíceis e, em ultima instância, planos de ação. Todos devem ser capazes de dar respostas claras e coerentes às setes questões  deixadas no texto. Só então terão a certeza de que a estratégia está no caminho certo.

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Baseado em: “Submeta a estratégia a um teste de stress” de Robert Simons, na revista Harvard Business Review – ed. N° 88

08/02/2011 Posted by | Gestão | , , , , | 2 comentários

2010 o ano dos TABLETS

Até que surja algo realmente fora dos padrões até o fim do ano, o produto que deixará 2010 marcado na memória dos apaixonados por tecnologia será o tablet. Esse mais novo gadget que se acrescenta às mochilas dos geeks de plantão chega para disputar espaço com: laptops, celulares, smartphones, players de MP3, netbooks e a toda sorte de acessórios bluetooth que os geeks adoram exibir.

Tablet nada mais é do que a evolução super hi-tec da nossa boa e velha prancheta. Se antes era somente um pedaço de compensado – ou acrílico – com um clip bem grandão em uma extremidade para suportar papéis e permitir anotações sob uma superfície plana em qualquer lugar ou direção, hoje é um gadget que dispensa até mesmo a caneta.

Tudo começou no remoto ano de 1968 com as ideias de Alan Kay, um cientista da computação norte-americano. Seu projeto inicial era semelhante aos tablets que conhecemos, porém sua vontade era que fosse voltado para crianças. Com interface gráfica e programação orientada a objetos por conta das limitações tecnológicas da época, o produto não foi adiante. Porém sua idéia não fora esquecida.

Kindle 2, da Amazon

Em 19 e novembro de 2007 a Amazon, gigante online na venda de livros, lançou para o mundo o Kindle, um revolucionário leitor de e-books – os livros digitalizados. O sucesso fora tão estrondoso à época, que o leitor fora completamente vendido em cinco horas e meia. Permanecendo fora de estoque até abril do ano seguinte. As causas à que se propôs o Kindle eram mais do que nobres: eliminar o papel gasto com a impressão de livros e comercializar livros a preços de e-books (algo como dez vezes mais baratos que em versão impressa).

O Kindle em si já tinha um jeitão de tablet, mas suas funcionalidades eram poucas: leitor de livros, jornais e revistas e player de mídias digitais, somente. O gadget veio a ser substituído por seus sucessores, Kindle 2 e Kindle DX, com aumento do tempo de duração da bateria, internacionalização (antes só funcionava nos EUA) e tempo de refreshing de página e o acelerômetro, na versão DX, no qual as páginas mudavam do modo retrato para o landscape, bastando um giro de 90º no gadget.

Outros e-book readers também participaram do mercado, mas nenhum nunca fez tanto sucesso quanto o Kindle. A lista de concorrentes ao Kindle é grande, entre eles: eGriver IDEO – Condor Tech, Digital Reader – iRex Tech., Boox 60 – Onyx Int., PRS 900 – Sony, iPapyrus 6 – iPapyrus Inc., etc. Até mesmo a Barnes & Noble, famosa rede de livrarias americana, lançou seu reader o Nook.

Quando parecia que a Amazon navegava sozinha por este oceano azul, eis que a Apple de Steve Jobs anuncia, em 27 de janeiro de 2010, para o mundo seu Ipad. Depois do sucesso absolutamente inquestionável e estrondoso do Iphone, Steve Jobs punha o mundo novamente a seus pés.

Steve Jobs apresenta o Ipad

O novo tablet trazia consigo aquilo que o Kindle não fizera: a ausência de teclado, cores e interatividade. A tão inovadora tecnologia touch screen – sucesso absoluto do Iphone – fora utilizada novamente. Decretando de uma vez por todas que o touch screen será o ponto de partida para novos gadgets que venham a se aventurar no mercado.

A lista de funcionalidades do Ipad é extensatouch screen, acelerômetro, conexão wi-fi com a Internet 3G,player de mídias digitais, e-book reader, sensor de luminosidade, GPS, conexão bluetooth, armazenamento de dados (16, 32 e 64Gb) e entrada para cartões SIM (ufa!).

Ipad, da Apple

Sim é um produto para derrubar o mercado.

Em face do terremoto causado pelo Ipad, outros fabricantes também começaram a se mexer para conquistar sua fatia de mercado. Praticamente todas as empresas do setor de tecnologia anunciaram que lançariam seus tablets: HP, Google, Microsoft, Toshiba, Nokia, Dell, Fujitsu e Samsung.

Por enquanto, a maioria ainda é anúncio somente. De concreto mesmo, só o tablet da Toshiba virou realidade. Se bem que pelas fotos, ele parece mais um laptop com monitor rotativo, do que um tablet propriamente dito.

De todos que verifiquei fotos e informações, o mais interessante seria o Courier, da Microsoft. Sim, “seria”, no passado mesmo. Isso porque, ao que parece a Microsoft desistiu do projeto de concepção deste tipo de gadget. Talvez um erro, quem sabe. Um vídeo super interessante sobre o que seria um dos maiores concorrentes do Ipad está nesse blog.

Courier, da Microsoft

A Amazon, que não divulga a quantidade exata de Kindles vendida, afirma que o leitor de livro eletrônico já foi comprado por milhões de pessoas desde o seu lançamento há cerca de dois anos. O executivo-chefe da Amazon, Jeff Bezos, afirma que a cada dez livros físicos vendidos, ele vende seis títulos para o Kindle. Alguns analistas estimam que o Kindle já responde por 60% do mercado de e-reader, com o Sony Reader em um distante segundo lugar.

Segundo um dos blogs de Applemaníacos, ainda não há estimativas exatas sobre quantos Ipads já foram vendidos até o momento. Alguns se arriscam a dizer que quando do anúncio do gadget, foram feitas a encomenda de mais de 120mil unidades. Alguns analistas afirmam que esse número seja real, não traduz com boa precisão a quantidade vendida. Isto porque conta somente as unidades encomendadas pelo site da Apple, não contabilizando o total de vendas nas lojas físicas.

Há previsões que digam que até abril, é provável que a Apple já tenha vendido entre 1 e 2 milhões de unidades do produto. O certo mesmo é o seguinte: quando do anúncio do Ipad (em 27/01/2010) as ações da Apple estavam cotadas a Us$ 207,88; hoje, em 25/05/2010, estão cotadas em US$ 250,00. Ou seja, um aumento de 20% no valor das ações da empresa.

Por fim, a cada fatia de mercado que os tablets avançam, um outro produto vai perdendo espaço: os netbooks. Devido as multifuncionalidades dos tablets – e basicamente por já disporem da tecnologia de acesso à Internet – é bem provável que esses gadgets figurem como produtos substitutos ao netbooks. Parece que aquela uma das cinco forças de Porter salta-nos aos olhos, nessa singular batalha do mercado das empresas de tecnologia.

30/05/2010 Posted by | Tecnologia | , , , , , , , , | 9 comentários