O Mundo das Ideias Corporativas

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Na contramão da Deslocalização

Tempos atrás escrevi um artigo para este blog no qual, baseado em uma entrevista de Silvio Meira, tratava da ‘deslocalização’ das empresas como solução para o tráfego caótico das grandes cidades e consequente melhoria da qualidade de vida. O tempo que uma parcela da população perde no deslocamento casa-trabalho torna-se em si, um tempo improdutivo com reflexos negativos sobre a qualidade de vida do trabalhador.

A solução outrora proposta seria a de ‘deslocalizar’ as empresas, ou seja, dividi-las em menores unidades de negócio e transferi-las para regiões mais afastadas do grande centro. Neste novo modelo de distribuição da empresa, pretende-se diminuir o tempo de deslocamento casa-trabalho e substituir os meios de transporte pelo transporte público, a bicicleta ou ainda, a caminhada.

Este é o modelo adequado para o Brasil agora. Isto porque a ocupação das cidades brasileiras, em sua maioria, se deu sempre do centro para o subúrbio e de forma desorganizada nas cidades não planejadas. As grandes empresas implantavam suas unidades nos centros da cidade, supervalorizavam seu entorno e inviabilizavam financeiramente a ocupação; levando a massa de trabalhadores a ocupar regiões cada vez mais distantes.

A CONTRAMÃO

Nos Estados Unidos, historicamente, o modelo de ocupação é justamente o oposto. As grandes empresas ocupavam, inicialmente, os subúrbios das grandes cidades em busca de benefícios fiscais e menores custos de implantação, gerando em torno de si os bairros planejados de baixo custo onde viviam suas massas de trabalhadores. Nesse modelo, os centros urbanos tornam-se áreas de entretenimento e convívio social – com parques, praças, áreas de lazer – destinado ao setor de serviços: shoppings, cinemas, lanchonetes e restaurantes.

Agora o que se observa naquele país é a reversão da expansão dos subúrbios. Cada vez mais as pessoas estão optando por viver em áreas de alta densidade demográfica e de uso misto. As pessoas não querem mais se movimentar do subúrbio para se divertir nos centros. Elas, agora, vivem nos centros. A classe de pessoas que se identifica com esse movimento reverso são os jovens trabalhadores e os aposentados que agora optam por morar em zonas centrais e bairros revitalizados.

As palavras de Robert Fishman, professor de arquitetura e urbanismo da University of Michigan, dão-nos um panorama desse quadro de ocupação: “Na década de 1950, o subúrbio era o futuro. Na época a cidade era vista como um lugar sombrio. Hoje, no entanto, essas zonas urbanas são estimulantes e diversificadas e estão crescendo de forma explosiva”.

Seguindo esse movimento de pessoas, vão as empresas. Empresas como United Air Lines, a financeira Quicken Loans, Walgreens recém-proprietária de uma rede farmácias, já fizeram essa escolha de instalar-se no centro.

No ultimo censo americano, quase dois terços (64%) dos entrevistados com nível universitário na faixa dos 25 aos 34 anos disseram decidir primeiro em que cidade querem morar e só então buscar emprego. Isso sugere que empresas como a Quicken Loans estão no rumo certo: instalar-se numa zona urbana e ajudar a revitalizá-la é a solução para atrair talentos.

Ao apoiar a educação em centros urbanos, as empresas não só ajudam a melhorar as perspectivas de trabalhadores futuros, mas também aumenta o valor geral da cidade e, por conseguinte, seu apelo como lugar para viver e trabalhar. Segundo estudos, o aumento de um ponto percentual na população com diploma universitário de um grande centro, acarreta num aumento de mais de US$ 100bi na renda per capital geral de uma grande cidade.

O modelo de ocupação do centro nos EUA acontece como o passo seguinte ao modelo inicial de ocupação dos subúrbios naquele país. Um modelo que deu certo e priorizou o bem coletivo.

No Brasil ainda é necessário que as empresas interessem-se em ocupar outras regiões da cidade, dividindo-se em unidades menores de negócio. Tudo isso em busca de objetivos nobres: aumento da produtividade do trabalhador aliada à melhoria da qualidade de vida, com redução do tráfego caótico e estressante dos veículos e a substituição dos meios de transporte individual por caminhadas, bicicletas ou veículos coletivos.

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28/07/2010 - Posted by | Ideias Corporativas | , ,

4 comentários »

  1. Boa noite Daniel…
    Fico feliz que tenha gostado da matéria, seria muito bom voce essa matéria no seu blog… Eu tenho os critérios de classificação sim, quer que coloque aqui como comentário?

    Muito bom o seu blog, tem várias matérias muito boas… Está de parabéns!

    Um Abraço

    Comentar por Preguiça Baiana | 03/08/2010 | Responder

  2. Pode ser que o modelo norte-americano resolva os grandes problemas das grandes cidades, aqui no Brasil. Enquanto isso não acontece, deveria existir mais campanhas de conscientização para o uso dos meios de transporte coletivo e o hábito de andar de bicicleta, rumo ao trabalho.
    Boa postagem, obrigada por compartilhar.
    Meu abraço,
    Yolanda

    Comentar por Yolanda Hollaender | 29/07/2010 | Responder

    • Só tenho a concondar em 100% do que comentaste, cara Yolanda.

      Nos grandes centros urbanos o COLETIVO deve ser priorizado em oposição ao INDIVIDUAL.

      Grande abraço

      Comentar por Danigalvao | 02/09/2010 | Responder

      • Só pra completar, um dado:

        a indústria automobilística lança mensalmente quase que 25.000 novos veículos nas ruas MENSALMENTE!!!

        será que existem ruas para suportar esse volume absurdo??

        Acredito, sinceramente, que não!

        Comentar por Danigalvao | 02/09/2010


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