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ROMPENDO COM O ATUAL MODELO DE VALORES NA SAÚDE

Os gastos com o sistema de saúde crescem de tal forma que sistemas pagadores, públicos e privados, não conseguem acompanhar; mapear as causas e promover a ruptura com o modelo atual faz-se necessário para que o modelo de promoção de saúde a todos não mate a si próprio.

Temos acompanhado recentemente nos noticiários a epopéia que o presidente Barack Obama vem travando para transformar em realidade um de seus carros-chefe de promessas de campanha: a reforma da saúde. Obama pretende trazer os EUA para o mesmo patamar de seus pares industrializados, como Canadá e Inglaterra, na área da saúde. Quer um sistema universal e acessível a toda a população. Vislumbra isso garantindo maior segurança e estabilidade aos que já contam com seguros saúde, pretende oferecer seguros aos que não possuem e reduzir os custos da saúde para famílias, empresas e governo. Naquele país, empregadores são obrigados por lei a oferecer seguros-saúde aos seus empregados; funcionando até como um diferencial de retenção de talentos, ou funcionários-chave, nas organizações.

Na nação mais rica do mundo os gastos com saúde chegam a (exorbitantes) um sexto do PIB, maior do que qualquer outro país industrializado. Per capita, se gasta o dobro do que qualquer outro país desenvolvido. O lucro desse sistema é astronômico para as seguradoras, as farmacêuticas e hospitais particulares, que estão fazendo de tudo para limitar as propostas do presidente Obama.

O sistema brasileiro de saúde tem muito em comum com o modelo americano no que tange a gastos e aos cidadãos sem atendimento. Está um passo à frente com o Sistema Único de Saúde (SUS), universal para todos os brasileiros. Porém tanto lá, quanto cá, milhares de cidadãos não conseguem atendimento de forma humanizada e resolutiva em suas necessidades.

gastos com saudeOs custos nessa área são exorbitantes em qualquer lugar do planeta. Ao contrário da área de Tecnologia, quanto mais inovação se aplica aos procedimentos, mais encarecidos são os custos. Hospitais buscam para suas instalações procedimentos caros, como cirurgias cardíacas, que são altamente lucrativas; enquanto serviços “pouco lucrativos”, como cuidados primários que no longo prazo poupam dinheiro, são evitados. Clínicas e laboratórios investem em máquinas cada vez mais modernas e custosas transferindo para pacientes os valores do “upgrade tecnológico” que realizaram.

Os preços pagos pelas seguradoras não é fixado pelas forças de mercado, são valores administrados. Quem determina o valor dos produtos e procedimentos médicos geralmente são médicos e economistas da saúde.

CAUSAS DO MODELO ATUAL

Podemos dividir em três importantes distorções as causas que geram tão exorbitantes valores na área de saúde:

1)         Assistência médica presa a um modelo de alto custo: o custo dos hospitais é gerado pela combinação de diversos modelos de gestão e pela complexidade dos serviços oferecidos dentro de cada um desses modelos, todos sob o mesmo teto institucional;

2)       As distorções causadas pela administração de preços: a mistura dos diferentes modelos de gestão e o ilimitado número de trajetos percorríveis através dos hospitais pelos pacientes, torna literalmente impossível para o hospital típico alocar, com grau de confiabilidade, seus custos indiretos a cada paciente e procedimento.

3)       As distorções dos contratos coletivos: A obtenção de contratos coletivos por parte dos hospitais juntos às companhias seguros, leva o prestador a oferecer toda a gama de serviços que a população segurada possa necessitar. O encargo acaba por exacerbar a complexidade dos hospitais gerais, elevando seus custos indiretos.

DISCUSSAO SOBRE O MODELO

Não restam dúvidas de que o modelo de alto custo, juntamente com as distorções, comprometerá gravemente a capacidade de pagamento do sistema. De um lado da equação temos um número de adesões a planos de saúde que geram receita limitada para o operador mais os limites orçamentários dos governos. No outro, temos os custos e a sinistralidade em crescente ascensão, comprometendo as receitas de forma insustentável.

As operadoras para manter sua capacidade de pagamento dos sinistros, quitar custos operacionais e gerar lucro repassam os valores para o usuário do plano. Isto desencadeia uma relação cada vez mais sensível entre operadores e usuários, em que os primeiros, pressionados pelos aumentos, tendem a promover migrações para contratos mais baratos – e com menos coberturas. Não obstante o número de contratos cancelados passa a ser maior que o número de adesões.

Governos, por sua vez, operam com orçamentos anuais limitados, transferem quantias destinadas a outros setores para cobrir gastos não previstos quando da elaboração. Lembrando que os orçamentos são delineados a partir de receitas geradas com arrecadação com impostos. Assim sendo, governos, na mesma toada das operadoras, transferem para o contribuinte o aumento de seus custos operacionais, resultando no aumento de impostos.

Em resumo, o que quero dizer é: na saúde, os setores pagadores operam com limites orçamentários, ao passo que as contas dos prestadores são crescentes. Há um descompasso aí. Caso o montante que “entra” não siga o mesmo crescimento do que “sai”, alguém terá de pagar a conta. E quem paga é sempre o usuário/contribuinte.

Especialistas dizem que em 20 anos, preservando-se os custos de hoje – nada impede que eles aumentem nos próximos anos –, nos EUA, os números serão somente inferiores aos gastos com defesa, comprometendo nocivamente o PIB. No Brasil acompanhamos um decréscimo de 36% na quantidade de operadoras de saúde em atividade ao longo da década de 2000.

Uma discussão séria sobre o tema faz-se necessária. Somente uma ruptura do modelo atual de alto custo poderá evitar que o sistema da saúde não mate a si próprio. Urge priorizar as ações preventivas, mais baratas. A revisão e padronização dos custos com procedimentos pode ser um passo positivo. Novos centros resolutivos integrados e de baixo custo podem ser um passo seguinte.

Melhorar o valor da assistência só será possível se aqueles que recebem os serviços médicos souberem exatamente quanto custam esses serviços.

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Baseado no livro: “Inovação na Gestão da Saúde – A receita para reduzir custos e aumentar qualidade”, de Clayton M. Christensen

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14/10/2009 - Posted by | Gestão | , ,

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